Corrupção do INSS: as estranhas coincidências
Publicado em 07/05/2025 , por Alan Ghani
A primeira é que o início dos desvios coincide com a aprovação do fim da obrigatoriedade do imposto sindical; a segunda é que em 2019, Bolsonaro aprovou uma MP de recadastramento dos descontos das aposentadoria
Os descontos nas aposentadorias e pensões dos beneficiados do INSS começou em 2016. De lá para cá, os valores desviados aumentaram significativamente, principalmente a partir de 2023. Em 2016, o desvio era na ordem de 413 milhões. Já em 2023 e 2024, a corrupção foi de 1,2 bilhão e R$2,8 bilhões, respectivamente.
Esse caso traz algumas estranhas coincidências. A primeira é que o início dos desvios coincide com a aprovação do fim da obrigatoriedade do imposto sindical. Sem a mamata tributária, possivelmente os sindicatos buscaram outras formas de financiamento (ilegal) com a ajuda da classe política e de funcionários do INSS.
Os indícios de participação de políticos no esquema ficam mais evidentes em 2019. Naquele ano, o governo Jair Bolsonaro lança uma medida provisória, exigindo um recadastramento anual dos descontos das aposentadorias para os sindicatos. Evidentemente, a leia visava impor dificuldades a fim de evitar corrupção no INSS. No entanto, coincidentemente políticos de esquerda e do centrão alteram a lei, jogando a validade da regra apenas para 2021.
Entretando, em 2021, parlamentares prorrogam a regra para 2022. Nesse ano, a regra é enterrada de vez, ou seja, a lei aprovada por Jair Bolsonaro para evitar fraudes no INSS nunca passou a valer, pois o Congresso “pedalou” a validade da norma para depois enterrá-la de vez. Com a garantia de que não haveria recadastramento anual dos descontos de aposentadorias para os sindicatos a partir de dezembro de 2022, coincidentemente a corrupção explode em 2023 e 2024. Talvez seja apenas coincidência.
Fonte: Jovem Pan - 06/05/2025
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